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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Os primeiros cinco anos da Abrasp

O Circuito Brasileiro de Surfe Profissional foi criado em 1987 e até 1991 - por cinco temporadas - foram realizadas 31 etapas (entre 5 e 7 a cada ano). Em 1992 a ASP criou as duas divisões do tour mundial e o esquema mudou: o ranking nacional passou ser definido pelas etapas do WQS no Brasil, abertas a participação de estrangeiros. Funcionou assim por oito anos, até a criação do SuperSurf, em 2000, quando a disputa do título nacional voltou a acontecer em um circuito restrito a brasileiros.

Esses cinco primeiros anos foram fundamentais para fortalecer o surfe profissional no país e preparar o terreno para o salto seguinte, a afirmação de nosso talento no cenário internacional. As competições seguiam os moldes do circuito mundial na época: longas triagens com baterias de quatro competidores, e disputas no formato homem-a-homem no evento principal, com a estreia dos pré-classificados (top 16, back 14, wildcards). Eram eventos grandiosos, que duravam mais de uma semana e costumavam ter várias categorias.

Praticamente dois terços desses 31 eventos foram no litoral paulista ou catarinense; os outros dez foram em cinco estados - no total, sete unidades federativas do país receberam essa primeira versão do tour nacional de surfe.
11 - São Paulo
9 - Santa Catarina
4 - Rio de Janeiro
3 - Bahia
2 - Rio Grande do Sul
1 - Rio Grande do Norte, Pernambuco

Entre os maiores vencedores nesse período que marcou época, destaque absoluto para Pedro Muller, campeão em seis ocasiões - quase um quinto do total. Outros seis surfistas venceram mais de uma vez. A lista abrange uma interessante mistura de gerações.
6 - Pedro Muller
3 - Jojó Olivença, Tinguinha Lima
2 - Paulo Matos, Picuruta Salazar, Wagner Pupo, Ricardo Toledo
1 - Fernando Corrêa, Amaro Matos, Fred D'Orey, Roberto Casquinha, Sérgio Noronha, Fernando Bittencourt, Paulo Kid, David Huzadel, Douglas Lima, Flávio Padaratz, Zé Paulo

Rivalidades regionais eram então mais acentuadas; um breve levantamento aponta a vantagem do eixo RJ/SP na contagem de vitórias: paulistas tiveram 16 títulos com dez surfistas; cariocas somaram 10, com cinco atletas; e os demais eventos ficaram com um baiano e dois catarinenses.

Não houve bicampeão nessas primeiras cinco temporadas, conquistadas por três paulistas, um carioca e um baiano. O levantamento:

1987 5 etapas
TOP3 Paulo Matos (SP)|Pedro Muller (RJ)|Neno Matos (SP)
1 Op | Joaquina/SC Paulo Matos (SP)/Rodolfo Lima (RJ)
2 LBolt | Guarujá/SP Fernando Corrêa (SP)/Pedro Muller (RJ)
3 Sundek | Itamambuca/SP Amaro Matos (SP)/Carlos Burle (PE)
4 Fico | Salvador/BA Pedro Muller (RJ)/Paulo Matos (SP)
5 T&C | Saquarema/RJ Fred D'Orey (RJ)/Paulo Matos (SP)

1988 6 etapas
TOP3 Jojó de Olivença (BA)|Picuruta Salazar (SP)|Paulo Matos (SP)
1 Op | Quebra Mar/RJ Roberto Casquinha (RJ)/Fe.Bittencourt (RJ)
2 SeaClub | Itamambuca/SP Jojó Olivença (BA)/Ricardo Toledo (SP)
3 FM/Niasi | Pitangueiras/SP Picuruta (SP)/Dadá Figueiredo (RJ)
4 Mormaii | Silveira/SC Paulo Matos (SP)/Rodrigo Resende (RJ)
5 Fico | Salvador/BA Tinguinha Lima (SP)
6 T&C | Saquarema/RJ Picuruta Salazar (SP)

1989 7 etapas
TOP3 Pedro Muller (RJ)|Felipe Dantas (RN)|David Husadel (SC)
1 Op | Joaquina/SC Pedro Muller (RJ)/David Husadel (SC)
2 SeaClub | Itamambuca/SP Wagner Pupo (SP)/Felipe Dantas (RN)
3 CS/FM | Pitangueiras/SP Sérgio Noronha (RJ)/Otaviano Bueno (SP)
4 Mormaii | Silveira/SC Pedro Muller (RJ)/Renato Phebo (RJ)
5 CG | Leblon/RJ Fernando Bittencourt (RJ)/David Husadel (SC)
6 Fico | Salvador/BA Pedro Muller (RJ)/Rodolfo Lima (RJ)
7 SeaClub | Joaquina/SC Paulo Kid (SP)/Picuruta Salazar (SP)

1990 7 etapas
TOP3 Tinguinha (SP)|Jojó de Olivença (BA)|David Husadel (SC)
1 Op | Joaquina/SC Tinguinha Lima (SP)/Paulo Matos (SP)
2 BS Renner | Torres/RS Wagner Pupo (SP)
3 CS | Pitangueiras/SP Jojó de Olivença (BA)/Tinguinha Lima (SP)
4 Mormaii | Silveira/SC David Huzadel (SC)/Pedro Muller (RJ)
5 BlueHawaii | Tombo/SP Douglas Lima (SP)/Fernando Graça (RJ)
6 SeaClub | Ubatuba/SP Jojó de Olivença (BA)/Tinguinha Lima (SP)
7 SeaClub | Joaquina/SC Tinguinha Lima (SP)/Roberto Cavallero (SP)

1991 6 etapas
TOP3 Ricardo Toledo (SP)|Zé Paulo (SP)|Paulo Matos (SP)
1 Locobeach | Joaquina/SC Flávio Padaratz (SC)/Peterson Rosa (PR)
2 BS Renner | Torres/RS Pedro Muller (RJ)/Jojó de Olivença (BA)
3 SeaClub | Ubatuba/SP Ricardo Toledo (SP)/Paulo Matos (SP)
4 CS |Santos/Guarujá/SP Ricardo Toledo (SP)/Jair de Oliveira (SP)
5 Seaway | Maracaípe/PE Zé Paulo (SP)/Felipe Dantas (RN)
6 SeaClub | Natal/RN Pedro Muller (RJ)/Renato Phebo (RJ)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O primeiro catarinense campeão brasileiro


Jean da Silva, campeão brasileiro 2010

Levou 24 anos, mas enfim um surfista catarinense conquistou o título brasileiro de surfe profissional. Se é pouco comparado com os quatro títulos do vizinho Paraná (e que seriam cinco não fosse o rolo do exame anti-doping em 2007), ao menos Santa Catarina entra para a lista obviamente encabeçada por São Paulo e Rio de Janeiro, e que agora chega a nove estados.

Títulos da Abrasp por estado
masculino/profissional

7 - São Paulo
5 - Rio de Janeiro
4 - Paraná
2 - Bahia | Paraíba
1 - Rio Grande do Norte | Alagoas | Ceará | Santa Catarina
[Campeões brasileiros]

Jean da Silva realizou um desejo que já foi de muitos catarinenses, e alguns de fato chegaram perto no passado.

O primeiro certamente foi David Husadel: tricampeão estadual de 1982 a 1984, vencedor do Op Pro de 1986, David alcançou os top 3 por dois anos seguidos - em 1989 e 1990 -, quando fez três finais e venceu uma.

Ivan Junckes, Carlos Santos, Saulo Lira, Ícaro Cavalheiro (top 30 nacional em 1991) - o surfe catarinense teve outros expoentes nos primeiros anos da Abrasp, porém Husadel foi o que mais se aproximou do topo.

Em 1992 começou o período de nove anos em que o título brasileiro foi definido pelas etapas nacionais do WQS. A conquista inédita poderia ter vindo com qualquer dos dois catarinenses mais em evidência no esporte - os irmãos Padaratz -, mas a prioridade era o circuito mundial. Eles até rondaram os top 5: Flávio venceu uma etapa em Torres em 1992 (quando foi campeão do WQS pela primeira vez) e em 1999, quando foi bi pelo Qualifying, terminou o ranking caseiro em 6º, sua melhor marca. Neco venceu cinco etapas entre 1996 e 1999, em três estados diferentes, mas chegou no máximo em 5º lugar, em 1996.

Outros nomes se destacaram no mesmo período: Roni Ronaldo foi top 30 em 1994 e 95; Guga Arruda ficou quatro temporadas entre os top 16, de 1996 a 1999, quando terminou em 4º - melhor colocação de um catarinense desde Husadel. No mesmo ano, Fábio Carvalho alcançou o 11º lugar.

Em 2000 foi inaugurado o SuperSurf, e o título nacional voltou a ser definido em um circuito restrito a brasileiros. Nesse novo cenário, Guga Arruda fez duas finais e voltou a frequentar os top 10. Fábio Carvalho chegou a uma decisão em 2000 e terminou o ano em 9º, seu melhor ranking. Até Flávio Padaratz, de folga da ASP, venceu uma etapa - a decisiva de 2000, na Vila. Mas outros nomes começaram a despontar - como Guilherme Ferreira, Pedro Norberto, Raphael Becker e James Santos, que no mesmo ano de 2000 conquistou o título brasileiro da divisão de acesso, então chamado de SuperTrials.

Dessa nova geração, quem quase trouxe o título brasileiro para Santa Catarina foi Andreas Eduardo. Em 2002, Andreas chegou a última etapa liderando o ranking, mas uma derrota na estreia na Prainha do Rio o derrubou para 6º. Despediu-se do circuito anos depois com duas finais e uma vitória na bagagem, sem contudo igualar a marca.

A esperança da conquista inédita para o estado passou para outros surfistas nos últimos anos. Um deles foi Marco Polo, que desde 2007 venceu três etapas do SuperSurf e foi top 5 duas vezes; mas a vaga na elite da ASP o levou a outras fronteiras. O mesmo aconteceu com Willian Cardoso, vice brasileiro em 2008, que soma duas finais e uma vitória no circuito caseiro, porém priorizou o WQS nas últimas temporadas.

Em 2010 surgiu o Brasil Surf Pro e Jean da Silva enfim trouxe a taça para Santa Catarina. Começou o ano com um resultado pouco promissor, mas nas quatro etapas seguintes chegou entre os oito melhores. Venceu em Búzios, voltou ao pódio na Joaquina e garantiu a conquista ao chegar às quartas-de-final na Barra da Tijuca.

Campanha de Jean no BSP 2010
1ª R3 | 2ª QF | 3ª Campeão | 4ª SF | 5ª QF

O título se soma a outras conquistas do catarinense, campeão estadual em 2005 e vice em 2006, com duas vitórias pelo WQS e uma final pelo SuperSurf (na Joaquina em 2008, quando perdeu para Willian Cardoso). A meta agora é o WT.

Vitórias de Jean da Silva
2006 - WQS - Hang Loose Pro, Noronha
2008 - WQS - Estoril Coast Pro, Portugal
2010 - BSP - 3ª etapa, Búzios (RJ)

Além do campeão, outros três catarinenses fecharam o ano entre os top 30 do BSP: dois estreantes em pódios nacionais, comprovando a boa safra do surfe estadual - Diego Rosa (vice na Joaquina) e Thomas Hermes (campeão na Barra da Tijuca) -, e o veterano Guga Arruda.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Andy Irons 1978-2010

Trágica, surpreendente e absurda a morte de Andy Irons, entre tantos adjetivos cabíveis. Trinta e dois anos. Despedidas assim precoces sempre despertam fortes reações e questionamentos, ainda mais quando se fala de um vencedor nato.

Andy foi o primeiro campeão mundial de surfe a falecer - dos 17 consagrados desde 1976, ou mesmo incluindo os seis do período da ISF. O surfe já perdeu muitos ídolos, mas da galeria de campeões AI é o primeiro a partir.

Na esteira de homenagens e repercussões que se seguem, e que justificadamente devem continuar por muito tempo, o Datasurfe publica sua contribuição: um breve resumo do retrospecto de Andy na ASP. Uma vida tão curta quanto repleta de conquistas do tipo que a maioria de nós apenas admira.

Os irmãos Irons eram fenômenos emergentes quando vieram ao Rio de Janeiro em 1994 para o Mundial Amador da ISA, mas os resultados levaram alguns anos para aparecer. Andy venceu pela primeira vez no WQS em 1996 (duas vezes, ambas no Hawaii) e entrou para a elite ao final de 1997, após vencer outros dois - em Teahupoo e Sunset.

2010 era sua 12ª temporada no WT. Top 16 desde 2000 - nove temporadas consecutivas - seu auge foram os três títulos entre 2002 e 2004. Sua segunda conquista, sobre Kelly Slater em Pipeline, é um dos grandes momentos da história do esporte. Após o ano sabático em 2009, retornava ao ritmo nesta temporada - como demonstrou a conquista em Teahupoo - quando houve o triste desfecho.

As doze temporadas de Andy no WT
1998 - 21º | disputou todas as 11 etapas
1999 - 34º | disputou 12 das 13 etapas
2000 - 16º | disputou 10 das 13 etapas
2001 - 10º | disputou todas as 5 etapas
2002 - 1º | disputou todas as 12 etapas
2003 - 1º | disputou todas as 12 etapas
2004 - 1º | disputou todas as 11 etapas
2005 - 2º | disputou todas as 11 etapas
2006 - 2º | disputou todas as 11 etapas
2007 - 6º | disputou 9 das 10 etapas
2008 - 13º | disputou 8 das 11 etapas
2009 competiu em 2 etapas como wildcard
2010 competiu em 8 etapas e estava em 16º quando faleceu

Andy venceu 33 eventos da ASP entre 1996 e 2010: 20 no WT e 12 no WQS, além do primeiro Mundial Junior da entidade, em 1998. É o único surfista que figura entre os dez maiores vencedores do WT e também do WQS. O resumo em ordem cronológica:

1997
Chegou à elite após vencer dois eventos WQS em Teahupoo e Sunset (já havia vencido outros dois no Hawaii em 1996) e terminar o ano em 4º no ranking. Competiu pela primeira vez entre os tops no Pipemasters, como convidado.

1998
Em sua estreia na elite, competiu em todas as etapas e só passou do round 3 em duas: em Huntington alcançou sua primeira vitória no WT (como rookie, fato raro) e em Hossegor foi às oitavas. Manteve a vaga pelo próprio WT, em 21º.

1999
Foi às oitavas no Tahiti, em J-Bay e Lacanau, e às quartas em Pipeline; mas não veio ao Brasil e terminou em 34º no ranking. Por golpe do destino, acabou mantendo o lugar na elite a partir da terceira etapa - creio que como alternate - e não saiu mais.

2000
Competiu em apenas nove das 13 etapas e só passou do round 3 em três delas, mesmo assim chegou pela primeira vez entre os top 16. Foi às oitavas em Huntington, às quartas em Pipeline e conquistou sua segunda vitória no WT, em Trestles. De quebra foi vice no WQS, após vencer o US Open.

2001
No ano abreviado pelo 11 de setembro, foi top 10 pela primeira vez, após fazer a semi em Bells e as oitavas em Teahupoo.

2002
O primeiro título mundial veio de forma incontestável, cinco finais e quatro títulos em doze etapas, quase dois mil pontos de vantagem sobre o vice. Foi campeão em Bells, Teahupoo, Mundaka e Pipe - em Hossegor foi superado na decisão por Neco Padaratz. Levantou a taça antecipadamente em Sunset, depois ainda celebrou sua primeira Tríplice Coroa Havaiana.

2003
A temporada do grande duelo com Kelly Slater. Das doze etapas, Andy venceu cinco e Slater quatro. Slater chegou em vantagem no Hawaii, mas Andy virou o jogo: após o vice em Sunset, em Pipeline ganhou o evento, a temporada e sua segunda Coroa Havaiana seguida.

2004
Seu terceiro e último título veio com quatro finais e duas vitórias (Jeffreys e Hossegor). Em Hossegor, com ondas que mais pareciam havaianas, fez a primeira final entre irmãos da história do WT. Comemorou o tricampeonato com uma etapa de antecipação, na Vila de Imbituba.

2005
A temporada em que Slater deu o troco. Slater e Irons fizeram cinco finais cada, duas entre si. Slater ficou com quatro troféus (Andy com três) e levou a temporada da mesma forma que Andy no ano anterior - com uma etapa de antecipação, na Vila de Imbituba. Foi o primeiro vice mundial de Andy, com um prêmio de consolação: sua terceira Coroa Havaiana, após vencer mais um Pipemasters (o terceiro em quatro anos) e o WQS de Sunset.

2006
Um repeteco do ano anterior (os top 3 do ranking foram os mesmos), porém o octacampeonato de Slater foi mais fácil: duas conquistas em cinco finais e a taça com duas etapas de antecipação, ainda em Portugal. Andy fez duas finais e venceu ambas, no México e em Pipe. A conquista do seu quarto Pipemasters (em cinco edições), com uma virada espetacular sobre Slater na final, foi outro de seus grandes momentos. Além de carimbar a faixa do campeão, somada com a conquista do WQS em Haleiwa lhe garantiu a quarta e última Coroa Havaiana.

2007
Andy foi às quartas em Teahupoo e J-Bay e fez duas finais: foi vice em Bells e venceu novamente o The Search, desta vez no Chile. Terminou a temporada em 6º, fora dos top 5 pela primeira vez em seis anos.

2008
Já ensaiando o afastamento que se concretizou em 2009, Andy competiu em apenas nove das 12 etapas. Foi às quartas em cinco ocasiões - Gold Coast, Bells, Teahupoo, J-Bay e Pipeline - e ao final do ano comunicou a ASP que não competiria na temporada seguinte. Seu irmão Bruce também largou o tour neste ano (após vencer o Search em Bali).

2009
Em seu ano sabático, participou de apenas dois eventos como convidado - Teahupoo e Pipeline - não passando das oitavas.

2010
Competiu nas oito etapas até outubro. A vitória em Teahupoo - sua última conquista - foi vista como sinal de que voltaria a brigar pelo topo. Mas o destino tinha outros planos.

As 12 vitórias no World Qualifying Series
1996 HIC Pro, Pipeline
1996 Summer Pro, South Shore
1997 Black Pearl, em Teahupoo
1997 Xcel Pro, Sunset
1998 US Open, Huntington
2001 Rip Curl, 56th St.Newport
2001 Hawaiian Pro, Haleiwa
2004 Surfabout, Trestles
2004 Mr Price, Durban
2005 World Cup, Sunset
2005 US Open, Huntington
2006 Op Pro, Haleiwa

As 20 vitórias no World Tour
1998 OP Pro, Huntington
2000 Billabong Pro, Trestles
2002 Rip Curl Pro, Bell's Beach
2002 Billabong Pro, Teahupoo
2002 Billabong Pro, Mundaka
2002 PipeMasters, Pipeline
2003 Rip Curl Pro, Bell's Beach
2003 Quiksilver Pro, Tavarua
2003 Quiksilver Pro, Niijima/Japão
2003 Quiksilver Pro, Hossegor
2003 PipeMasters, Pipeline
2004 Billabong Pro, Jeffrey's Bay
2004 Quiksilver Pro, Hossegor
2005 Quiksilver Pro, Chiba/Japão
2005 Quiksilver Pro, França
2005 PipeMasters, Pipeline
2006 Search, La Jolla/México
2006 PipeMasters, Pipeline
2007 Search, Arica/Chile
2010 Billabong Pro, Teahupoo

Tornou-se histórica também a rivalidade (com o tempo evoluída em amizade) entre Andy e Slater. Segundo levantamento do Datasurfe, os dois se enfrentaram 11 vezes pelo WT entre 2000 e 2010. Apenas duas não foram em fase final (das quartas em diante). O placar ficou 7 a 4 para Andy. Dos quatro confrontos em Pipeline (todos vencidos por Irons), três foram decisões.

Confrontos diretos no WT: Andy Irons 7 x 4 Kelly Slater
2000 Pipe - R4: Andy Irons 25.15 d. Kelly Slater 21.75
2002 Hossegor - SF: Andy Irons 16.75 d. Kelly Slater 16.5
2002 Pipe - F: Irons 17.65, Dorian 16.1, Slater 9.55, Fanning 9
2003 Pipe - F: Irons 15.16, Parko 14.4, MacDonald 9.6, Slater 9.17
2005 Jeffreys - F: Kelly Slater 16.83 d. Andy Irons 16.56
2005 Chiba - F: Andy Irons 19.43 d. Kelly Slater 18.06
2006 Pipe - F: Irons 19.87, Slater 17.73, Lopez 12.5, Machado 8.96
2008 Gold Coast - QF: Kelly Slater 17 d. Andy Irons 10.94
2008 Bells - QF: Kelly Slater 15.34 d. Andy Irons 2.8
2010 Teahupoo - R1: Slater 14, Irons 13.97, H.Williams 12.57
2010 Teahupoo - SF: Andy Irons 13.57 d. Kelly Slater 10.26

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Todos os Mundiais da ISA

As 19 edições por equipes

Durante o primeiro campeonato mundial - em 1964, na Austrália - foi criada a International Surfing Federation (ISF). Segundo Matt Warshaw, na Enciclopédia do Surf, foi a primeira organização internacional do esporte e surgiu principalmente por iniciativa do peruano Eduardo Arena. Baseada em Lima, organizou os cinco mundiais seguintes, até 1972 - os primeiros títulos da história, quando as competições não tinham premiação em dinheiro (portanto, amadoras).

Poucos anos após o fim da ISF, foi criada (principalmente por iniciativa do sul-africano Basil Lomberg) a International Surfing Association (ISA), em 1976 - mesmo ano em que surgiu a IPS e o circuito profissional. A ISA substituiu a ISF como promotora dos campeonatos mundiais amadores.

Desde então, segundo dados apurados no site da ISA, foram realizados pelo menos 35 eventos sancionados pela entidade, com categorias diversas - open, junior, master, longboard, kneeboard, bodyboard e até tandem. Segue o que o Datasurfe conseguiu apurar, em ordem cronológica invertida:


2011 Playa Venao/Panamá
EQUIPES Austrália|Brasil|França
OPEN Santiago Muniz|Mick Campbell|Thomas Woods
FEM Cannelle Bulard|Sofia Mulanovich|Jessi Miley-Dyer
LB Toni Silvagni|Harley Ingelby|Piccolo Clemente

2011 Junior | Punta Hermosa/Peru
EQUIPES Peru|África do Sul|Austrália
U18 Cristobal de Col|Vasco Ribeiro|David Brand
U16 Filipe Toledo|Dylan Lightfoot|Joaquin Del Castillo
U18 FEM Cannelle Bulard|Bianca Buitendag|Nikki Van Dijk

2010 Punta Hermosa/Peru
EQUIPES Peru|Austrália|África do Sul
OPEN Hira Teriinatoofa|Gabriel Villaran|Alan Jhones
FEM Chelsea Hedges|Paige Hareb|Sofia Mulanovich
LB Rodrigo Sphyer|Josh Constable|Harley Ingleby

2010 Masters | Santa Catalina/Panamá
EQUIPES Austrália|África do Sul|Brasil
MASTER Andrew Banks|Brett Bannister|Dean Hall
GM Juan Ashton|Glen Pringle|Andre Malherbe
KAH Rod Baldwin|Sergio Penna|David Malherbe
GK Chris Knutsen|Javier Huarcaya|Kenneth Mayer
MASTER FEM Heather Clark|Andrea Lopes|Patricia Rossi

2010 Junior | Piha/Nova Zelândia
EQUIPES Austrália|Hawaii|EUA
U18 Gabriel Medina|Jordin Watson|Tamaroa McComb
U16 Matt Banting|Jake Halstead|Koa Smith
U18 FEM Tyler Wright|Alessa Quizon|Sarah Baum

2009 Playa Hermosa/Costa Rica
EQUIPES EUA|França|Austrália
OPEN Jeremy Flores|Cory Lopez|Gabriel Villaran
FEM Courtney Conlogue|Rosanne Hodge|Sage Ericson
LB Antoine Delpero|Harley Ingleby|Ben Skinner
TAG Austrália|França|Peru

2009 Junior | Salinas/Equador
EQUIPES Austrália|Hawaii|Brasil
U18 Dean Bowen|Miguel Pupo|Huscenot Maxime
U16 Keanu Asing|Gabriel Medina|David Brand
U18F Tyler Wright|Courtney Conlogue|Alessa Quizon
TAG Brasil|França|África do Sul

2008 Costa de Caparica/Portugal
EQUIPES Austrália|EUA|Brasil
OPEN CJ Hobgood|Heath Joske|Dayyan Neve
FEM Sally Fitzgibbons|Marie Dejean|Camila Cassia
BB Marcus Lima|Manuel Centeno|Hugo Pinheiro
BB FEM Natasha Sagardia|Heloise Bourroux|Rita Pires
LB Matthew Moir|Harley Ingleby|Taylor Jensen
TAG França|Portugal|Costa Rica

2008 Junior | Hossegor/França
EQUIPES Austrália|Brasil|Hawaii
U18 Alejo Muniz|Owen Wright|Tyler Newton
U16 Tamaroa McComb|Peterson Crisanto|Matty Costa
FEM Laura Enever|Tyler Wright|Courtney Conlogue

2008 Masters | Punta Rocas/Peru
EQUIPES África do Sul|Austrália|Brasil
MASTER Juan Ashton|Ricardo Toledo|Rob Page
GM Rob Page|Magoo de la Rosa|Jojó de Olivença
KAH Marc Wright|Nick Pike|Jorge Posso
GK Chris Knutsen|Paco del Castillo|Frank Hayter
MASTER FEM Heather Clark|Rocío Larrañaga|Sandra English

2007 Junior | Caparica/Portugal
EQUIPES Austrália|Brasil|Hawaii
U18 Jadson André|Chris Friend|Charlie Brown
U16 Garret Parkes|Tamaroa McComb|Matt Hewitt
U18F Sally Fitzgibbons|Laura Enever|Sage Ericson

2007 Masters | Rincon/Porto Rico
EQUIPES África do Sul|Porto Rico|Tahiti
MASTER Juan Ashton|Heifara Tahitini|Wagner Pupo
GM Magoo de la Rosa|Heinere Paez|Alberto Licha
KAH Chris Knutsen|Javier Huarcaya|Gilles Asenjo
TAG África do Sul|Porto Rico|França

2007 Kneeboard | Santa Cruz/EUA
EQUIPES Austrália|Internacional|EUA
OPEN Gavin Colman|Barry Baker|Matt Gallagher
FEM Jodie Winter|Natlie Silverthorn|Kiya Kelly

2006 Huntington Beach/EUA
EQUIPES Austrália|Brasil|EUA
OPEN Jordy Smith|Luke Stedman|Pat O'Connell
FEM Julia Christian|Jaqueline Silva|Rosa Hodge
LB Matthew Moir|Benjamin Skinner|Harley Ingleby
BB Manuel Centeno|Hugo Pinheiro|Andrew Lester
BB FEM Kira Llewellyn|Neymara Carvalho|Natasha Sagardia
TAG Austrália|Brasil|África do Sul

2006 Tandem | Waikiki

2006 Junior | Maresias/Brasil
EQUIPES Austrália|França|Brasil
U18 Julian Wilson|Jordy Smith|Caleb R-Boquist
U16 Owen Wright|Aleho Muniz|Shaun Jobert
U18F Pauline Ado|Sally Fitzgibbons|Diana Souza

2005 Junior | Huntington Beach/EUA
EQUIPES Hawaii|Brasil|EUA
U18 Jefferson Silva|Tanner Gudauskas|Tomas Hermes
U16 Tonino Benson|Clay Marzo|David Delroy Carr
U18F Stephanie Gilmore|Karina Petroni|Carissa Moore

2004 Junior | Tahiti
EQUIPES Austrália|EUA|Brasil
U18 James Wood|Jeremy Johnston|Willian Cardoso
U16 Matt Wilkinson|Julian Wilson|Joan Duru
U18F Stephanie Gilmore|Karina Petroni|Erica Housseini

2004 Salinas/Equador
EQUIPES Austrália|Brasil|África do Sul
OPEN Hira Teriinatoofa|Flávio Padaratz|Mark Richardson
FEM Sofia Mulanovich|Julia Christian|Andréa Lopes
LB Marcelo Freitas|Jason Ribbink|Joshua Constable
BB Andrew Lester|Yeray Martinez|Alvaro Padron
BB FEM Kira Llewellyn|Neymara Carvalho|Marina Taylor
TAG Austrália|Espanha|África do Sul

2003 Junior | Durban/África do Sul
EQUIPES Brasil|Austrália|Nova Zelândia
U18 Ben Dunn|Willian Cardoso|Ola Eleogram
U16 Jordy Smith|Tim Wrench|Mitch Coleborn
U19F Jessie M.Dyer|Amanda Clegg|Tory Titcomb

2003 Masters | Taranaki/Nova Zelândia
35/39 Carlos Santos|Junior Maciel|Rodrigo Munhoz
40/44 Picuruta Salazar|Charlie O'Sullivan|Witt Rowlett
45/49 John Gisby|Mark Wilians|Tom Deken
50/54 Tony Olgilvy|Paul Trigger|Graham Brekel
55/59 Daniel Bond|Wayne Arthur|Phil Smith
60+ Adrian Pickering|Eddie Rare|Nygel Dwyer
35/39 FEM Sandra English|Monique Hedges|Lindie Foster
40/49 FEM Pauline Pullman|Jeanne Shanks|Prue Larchford
50+ FEM Kathy Steed|Margareth Bryan|Susie Smith
KNEE 35/44 Craig Hooper|Tracy Skelton|Ian Walker
KNEE 45+ Carrol Heimata|Ralph Sanford|Bryan Wallbuton

2002 Durban/África do Sul
EQUIPES África do Sul|Austrália|Brasil
OPEN Travis Logie|Mark Bannister|Jihad Kohdr
JR Warwick Wright|Ricky Basnett|Adriano de Souza
FEM Chelsea Georgeson|Pru Jeffries|Heather Clark
LB Marcelo Freitas|Kekoa Auwae|Jason Ribbink
KNEE Kyle Bryant|Gigs Celliers|Albert Munoz
BB Nicolas Capdevil|Emiliano Tabare|Phillip Rodrigues
BB FEM Neimara Carvalho|Heloise Bourroux|Chiaky Okuyama
TAG Nova Zelândia|Espanha|Brasil

2000 Maracaípe/Brazil
EQUIPES Brasil|Hawaii|Austrália
OPEN Fábio Silva|Frederic Robin|Dane Beevor
JR Joel Centeio|Marcondes Rocha|Bernardo Miranda
FEM Tita Tavares|Melanie Bartels|Sofia Mulanovich
LB Marcelo Freitas|Noah Shimabukuro|Dacid Simmons
KNEE Sérgio Peixe|Gigs Celliers|Albert Munoz
BB Guilherme Tamega|Oswald Hare|Gonçalo Faria
BB FEM Karla Costa|Chasity Baltazar|Eunate Aguirre
TAG Brasil

1998 Carcavelos/Portugal
EQUIPES Austrália|Brasil|África do Sul
OPEN Michael Campbel|Peterson Rosa|Sasha Stocker
JR Dean Morrison|Tiago Pires|Zane Harrison
FEM Alcione Silva|Melanie Bartels|Yvonne Rogencamp
LB Alexandre Salazar|Jason Blewitt|Alan Burke
KNEE Gigs Celliers|Albert Munoz|Jamie McHugh
BB Gonçalo Faria|Michael Eppiestum|Alistair Taylor
BB FEM Dora Gomes|Mariana Nogueira|Vicky Gleason

1996 Huntington Beach/EUA
EQUIPES EUA|Brasil|Austrália
OPEN Taylor Knox|Victor Ribas|Todd Prestage
JR Ben Bourgeois|Taj Burrow|Damien Hobgood
FEM Neridah Falconer|Tita Tavares|Jacqueline Silva
KNEE Gigs Celliers|Craig Ashdown|David Shimbara
LB Geoff Moysa|Jason Blewitt|Marcelo Freitas
BB Guilherme Tâmega|N.Stephenson|Steve McKenzie
BB FEM Daniela Freitas|Dora Gomes|Mady Slater

1994 Barra da Tijuca RJ/Brasil
EQUIPES Austrália|Brasil|Hawaii
OPEN Sasha Stoker|Charles Cardoso|Shawn Sutton
JR Kalani Robb|Luke Hitchings|Neco Padaratz
FEM Alessandra Vieira|Keala Kennely|Tita Tavares
KNEE Gigs Celliers|Gaven Coleman|William Grutter
LB Michel Demont|Lynden Kennings|Bill Curry
BB Jefferson Anute|Nicholas Capdeville|Dave Ballard

1993 Grommets | Kuta/Bali

1992 Lacanau/França
EQUIPES Austrália|EUA|Brasil
OPEN Grant Frost|Carl Roux|Brendon Margieson
JR Chad Edser|Brian Pacheco|Shea Lopez
FEM Lynette Mackenzie|Anne-Gaelle Horarau|Sandy Dryden
KNEE Gigs Celliers|Tim Malone|Willian Gruter
LB Teva Noble|Ray Gleave|Alexis Gazzo
BB Nicolas Capdeville|Brian Wise|Rodolfo Fiuze

1990 Chiba/Japão
EQUIPES Austrália|EUA|Brasil
OPEN Heifara Tahitini|Craig Mc Milllan|Hemerson Marinho
JR Shane Bevan|David Gonsales|Shane Stoneman
FEM Kathy Newman|Anne Hoarau|Hayley Tasker
KNEE Simon Farrer|Marcelo Gardeazabal|Timmy Tanaka
LB Wayne Deane|Bill Mc Millen|Phill Griffin
BB Jackie Buder|Fabio Aquino|Nicolas Capdeville

1988 Aguadilla/Porto Rico
EQUIPES Austrália|EUA|Brasil
OPEN Fábio Gouveia|Darren Magee|Rodrigo Resende
JR Chris Brown|Fernando Graça|Kaipo Jaquias
FEM Pauline Menczer|Kim Briones|Rochell Gordines
KNEE Simon Farrer|Sergio Carvalho|Grey Gardner
LB Andrew Mckinnon|Rico de Souza|Bill Curry
BB Chris Cunningham|Kainoa Magee|Evaristo Macedo

1986 Newquay/Inglaterra
EQUIPES EUA|Austrália|Hawaii|França
OPEN Jeff Booth|Mark Sainsbury|Wilfred Sanford
JR John Shimooka|Todd Mitsui|Nicky Wood
FEM Lisa Andersen|Connie Nixon|Anne Gaelle
KNEE Michael Novakov|Chris Condeicao|Simon Ferrer

1984 Huntington Beach/EUA
EQUIPES EUA
OPEN Scott Farnsworth
JR Damien Hardman
FEM Janice Aragon
KNEE Michael Novakov

1982 Gold Coast/Austrália
EQUIPES Austrália
OPEN Tom Curren|Robert Wolffe|Ross Marshall
JR Bryce Ellis|Tom Curren|Chris Frohoff
FEM Jenny Gill|Toni Sawer|Alisa Schwarzstein
KNEE Michael Novakov|Neil Luke|Bill Sharpe

1980 Biarritz/França
EQUIPES EUA
OPEN Mark Scott
JR Tom Curren
FEM Alisa Schwarztein

1978 Nahoon Reef/África do Sul
EQUIPES África do Sul|EUA|Grã Bretanha
OPEN Antoni Brodowicz|Bruce Jackson|Wayne Shaw

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dez campeonatos para ver e rever (no mundo)

Mais uma da série "imaginemos que fosse possível voltar no tempo para assistir a dez eventos", porém mirando em horizontes mais distantes. Se a lista nacional foi difícil, a internacional nem se fala, parece impossível selecionar dez entre milhares. Segue a tentativa.

1 - Um evento em Waimea
Pelo menos um, porque o cenário é dos mais cativantes. Meu principal candidato seria o Smirnoff de 1974, que começou em Sunset e foi encerrado em Waimea. A participação de Mark Richards, então com 18 anos, foi um marco para a geração Free Ride. Séries fecharam a baía, James Jones quase morreu (foi salvo por Eddie Aikau) e Reno Abellira foi o campeão.
Outra opção seria escolher um Eddie - assisti a edição de 1995, que não foi finalizada porque as ondas diminuíram. A primeira (1987, vencida por Clyde Aikau) e a última (2009, por Greg Long) seriam boas opções.

2 - Bells Beach Classic de 1981
Para ver 15 pés de onda no "Large Saturday" e a conquista marcante de Simon Anderson com sua triquilha. Pela importância histórica, Bells não poderia ficar fora da lista. Sede do segundo evento mais antigo do tour, recebe desde os tempos de Michael Peterson muitos ícones do esporte. Mas a onda é cheia e para valer o espetáculo o mar tem que estar grande - de preferência muito, como em 1981.

3 - Uma edição do Pipemasters
Com quase 40 concluídas, é muito difícil escolher uma. Há campeões dos mais diversos, de Gerry Lopez a Jamie O’Brien, passando por Dane Kealoha, os irmãos Ho, Occy, Carroll, Slater, os irmãos Irons... e quase todas as disputas com condições cinematográficas. Sem falar que quase dez títulos mundiais foram decididos em seus tubos.
Fica o registro de que a única edição que assisti, a de 1995, teve ingredientes de sobra: quatro dias de ondas espetaculares, o bom desempenho brasileiro, o retorno de Occy, derrubando o líder do ranking Sunny Garcia, o hang five de Slater e Machado na semi, a decisão do título mundial na última bateria e o tri de Slater.
Mas um dos Pipemasters vencido por Tom Carroll também seria uma boa pedida - talvez o de 1987, seu primeiro, quando o falecido Ronnie Burns foi vice-campeão.

4 - Um evento em Teahupoo
Bruno Santos que me perdoe (no ano em que ele venceu, a triagem foi melhor que o evento principal), mas escolheria uma entre duas outras edições: a primeira, em 1999, pelo impacto da estréia e talvez pela vitória de Occy; ou ainda melhor, a de 2002, que teve as maiores ondas - séries passando de 12 pés, acidentes, feridos, Peterson derrotando Slater e Andy Irons campeão.

5 - Um evento em Jeffrey's Bay
O de estreia, em 1984, lidera a lista de preferências - em especial pela primeira vitória de Mark Occhilupo no tour. Porém muitas das treze edições mais recentes pelo WT tem atrativos de sobra.

6 - Um evento em G-Land
Alguns lugares justificam a escolha por si só, caso de Grajagan, em Java. A estreia no tour em 1995 foi histórica, recorde de notas 10, vitória de Slater, um dos melhores campeonatos de todos os tempos. A de 1996 foi vencida por Beschen e a de 1997 por Luke Egan. Todas tiveram altas ondas e um brasileiro nas quartas-de-final. Como só houve essas três, fico com a primeira.

7 - Um evento na França
Incluir Hossegor na lista pode ser uma escolha questionável, mas vale considerar pelo menos três eventos em seus beachbreaks. O Rip Curl Pro 1994 teve ótimos tubos e a vitória de Flávio Padaratz sobre Kelly Slater na final (até 2010 a única derrota de Slater para um brasileiro em uma decisão). O Quik Pro de 2002 teve a vitória de Neco Padaratz sobre o futuro tricampeão mundial Andy Irons, também em altas ondas. E o Quik Pro de 2004 teve ondas de 12 pés havaianos e a única final entre irmãos da história da ASP (os Irons).

8 - Um evento em Gold Coast
De preferência em Kirra Point, no auge. Dois eventos - ambos com disputas também em Burleigh Heads - despertam a atenção: no de
1996, houve a estreia de Kirra no tour, o recorde de Beschen (três notas 10 na mesma bateria) e a semifinal de Flávio Padaratz. No de 1997, houve a final de Peterson Rosa, a semi de Neco e mais uma vitória de Slater.

9 - Uma das cinco edições do The Search
No período mais recente, o evento itinerante da Rip Curl trouxe um atmosfera permanente de novidade ao circuito mundial. Nesse contexto, Ilhas Reunião, México, Chile, Bali e Portugal seriam destinos muito bem-vindos nesta lista, mas tão díspares entre si que fica difícil escolher um.

10 - Um evento em Sunset Beach
A primeira indicação desta lista até cita um evento que começou em Sunset (o Smirnoff 1974), mas acabou em Waimea. E Sunset merece uma versão completa. Primeira praia do north shore a receber competições, suas direitas já receberam mais de noventa campeonatos, segundo levantamento do Datasurfe. Dos tempos do Duke Invitational aos atuais encerramentos do Qualifying, foram muitos memoráveis. Pode-se escolher uma das longínquas vitórias de Jeff Hackman, a única conquista de Eddie Aikau no tour, o primeiro título de Tom Carroll, ou algo recente, como o World Cup de 2008, um dos maiores mares da história da ASP.

Não entraram na lista, mas poderiam (ou até deveriam):

- Um evento em Trestles. Não incluir a Califórnia entre os top 10 pode ser uma falha e Lowers é a melhor opção - apesar de Steamer Lane também ter seus méritos. Huntington Beach teve eventos históricos (inclusive aquele da quebradeira em 1986), mas chega de beachbreak.

- E por falar em Califórnia, tem também o Mundial de 1966, em San Diego, vencido por Nat Young. Pela questão histórica, da transição dos longboards para as pranchinhas. Além de ser um campeonato no modelo antigo e portanto bem diferente dos atuais.

- Um evento em Margaret River. De preferência um vencido por Tom Carroll no auge. Ou pelo Neco Padaratz, se o lado torcedor falar mais alto.

- Um evento em Mundaka. Mas é preciso ver qual das nove edições foi realmente em Mundaka e teve pelo menos oito pés de onda.

- A etapa do mundial de 1985 em Outer Kom, vencida por Wes Laine. Ondas grandes tem um fascínio inegável; 12 a 15 pés no ambiente peculiar de Cape Town é um ingrediente interessante.

- Um evento em Tavarua, outro destino idílico do tour. Quem sabe uma das duas edições com vice-campeões brasileiros. O principal aqui é a onda.

- Um evento nas Maldivas. Porque há lugares (como G-Land e Tavarua) que se justificam por si só (ou pelo free surfe nas horas vagas). Em nove edições do WQS nas Maldivas houve um título (Heitor Alves, 2007) e três vices brasileiros, o que poderia ser o diferencial na escolha.

- O Japan Quik Pro de 2005, que teve altas ondas (seis pés a la Off-the-Wall) e um clássico confronto entre Andy Irons e Kelly Slater na final.

Muitos eventos memoráveis não foram citados, o que ilustra como é rica a história do surfe competição. Não especifiquei por exemplo nenhuma vitória do Tom Curren (e ele venceu 36 etapas, inclusive em Haleiwa, Bells, Burleigh Heads e Steamer Lane). Tampouco inclui uma das 16 vitórias de Martin Potter, ou alguma de Mark Richards, Cheyne Horan, todos ídolos a seu tempo. Por mais imprecisa que fique a lista, a impressão é que nunca está abrangente o suficiente.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O histórico de Martin Potter na ASP


Pottz! Pipe, 1982

Inspirado na homenagem de Júlio Adler a Martin Potter, o Datasurfe apresenta seu breve dossiê estatístico sobre o campeão mundial de 1989, atual comentarista de etapas do tour.

A biografia de Pottz foi bem resumida tanto no Goiabada quanto no perfil da Surfline, traçado por Jason Borte. O texto de Matt Archbold na SurferMag (que listou Potter entre os 50 maiores surfistas de todos os tempos) também dá noção de suas virtudes e importância na história do surfe.

Britânico só no passaporte, Potter cresceu na África do Sul, onde despontou no tour mundial em 1981, ao fazer duas finais seguidas em Durban - com apenas 15 anos de idade.

Correu o circuito pelos treze anos seguintes e tornou-se um dos surfistas mais influentes de sua época - junto de Curren, Carroll, Occy e Elkerton. Eventualmente mudou-se para a Austrália. O título mundial de 1989 foi o ápice de uma carreira vitoriosa, como ilustram os números: nunca saiu dos top 16 (14 anos consecutivos), foi doze vezes top 10. E saiu por cima - terminou sua última temporada (1994) em 10º.

Os 14 anos de Pottz no WT:
1981 - 8º | competiu em 5 das 11 etapas
1982 - 12º | competiu em 10 das 12 etapas
1983 - 5º | competiu em 11 das 16 etapas
1984 - 6º | competiu em 16 das 24 etapas
1985 - 8º | competiu em 15 das 20 etapas
1986 - 5º | competiu em 15 das 18 etapas
1987 - 6º | competiu em 19 das 21 etapas
1988 - 6º | competiu em 21 das 24 etapas
1989 - 1º | competiu em 21 das 25 etapas
1990 - 15º | competiu em 14 das 21 etapas
1991 - 7º | competiu em 14 das 17 etapas
1992 - 9º | competiu em 10 das 11 etapas
1993 - 5º | competiu em todas as 10 etapas
1994 - 10º | competiu em 9 das 10 etapas

Pelas contas do Datasurfe, Potter competiu em 190 eventos do WT nas 14 temporadas em que esteve na ativa (e em mais quatro como wildcard, nos anos seguintes: Lacanau/1995, Narrabeen e Gland/1996, e Gland/1997). Somou 16 vitórias (sendo uma no Grand Slam australiano de 1983) e 16 vice-campeonatos. O único ano que não disputou nenhuma final foi 1982. Também competiu três anos no WQS, no qual somou quatro vitórias e um vice.

16 títulos e 16 vices no WT
1981 - Gunston/Durban - Cheyne Horan/Martin Potter
1981 - Mainstay/Durban - Mark Richards/Martin Potter
1983 - Stubbies/Burleigh - Martin Potter/Shaun Tomson [GSlam]
1984 - Marui/Niijima - Martin Potter/Mark Occhilupo
1984 - Fosters/Newquay - Martin Potter/Cheyne Horan
1984 - Hang Ten/San Diego - Martin Potter/Barton Lynch
1985 - Beaurepaires/Cronulla - Barton Lynch/Martin Potter
1986 - Marui/Chiba - Gary Elkerton/Martin Potter
1986 - Coke/Manly - Tom Carroll/Martin Potter
1987 - Hot Tuna/Newquay - Martin Potter/Tom Curren
1987 - BHP/Newcastle - Tom Carroll/Martin Potter
1988 - Garden/New Jersey - Rob Bain/Martin Potter
1988 - Arena/Biarritz - Glen Winton/Martin Potter
1988 - Wave Pool/Izu - Damien Hardman/Martin Potter
1988 - MBF/Bondi - Martin Potter/Barton Lynch
1989 - O'Neill/Santa Cruz - Martin Potter/Brad Gerlach
1989 - Rip Curl/Bells - Martin Potter/Damien Hardman
1989 - Coke/Manly - Martin Potter/Derek Ho
1989 - Marui/Niijima - Martin Potter/Derek Ho
1989 - Quiksilver/Lacanau - Martin Potter/Richie Collins
1989 - Arena/Biarritz - Martin Potter/Richie Collins
1989 - Pukas/Zarautz - Derek Ho/Martin Potter
1989 - Alternativa/B.Tijuca - Dave Macaulay/Martin Potter
1990 - LifeBeach/Oceanside - Martin Potter/Sunny Garcia
1990 - Rip Curl/Hossegor - Martin Potter/Rob Bain
1991 - Arena/Biarritz - Fábio Gouveia/Martin Potter
1991 - Wyland/Haleiwa - Tom Curren/Martin Potter
1992 - Rip Curl/Bells - Richie Collins/Martin Potter
1992 - Miyazaki/Japão - Martin Potter/Kelly Slater
1993 - Lacanau Pro/França - Martin Potter/Kaipo Jaquias
1993 - Miyazaki/Japão - Michael Barry/Martin Potter
1994 - Rip Curl/Bells - Kelly Slater/Martin Potter

4 títulos e 1 vice no WQS
1992 - Peak/Narrabeen - Martin Potter/Dave Davidson
1992 - Wyland/Haleiwa - Sunny Garcia/Martin Potter
1992 - Hard Rock/Sunset - Martin Potter/Vetea David
1993 - Billabong/Kirra - Martin Potter/Tom Carroll
1994 - Cleanwater/Dee Why - Martin Potter/Shane Herring

De seus melhores resultados, a maior parte foi na Austrália - incluindo três finais em Bells e uma conquista em Kirra. Também teve sucesso na Europa (onde fez dez finais, três em Biarritz) e no Japão (três títulos em seis finais).

No Hawaii, firmou reputação ainda em 1982, ao tirar um tubo nota 10 em uma onda de 12 pés na semifinal do Pipemasters. Mas a tão cobiçada vitória na meca do surfe só veio dez anos depois, em Sunset.

Seu grande show no circuito foi mesmo no ano do título mundial, quando começou a trabalhar com Peter Colbert (o mesmo empresário de Tom Carroll). Saiu na frente com quatro vitórias em cinco eventos e não olhou mais pra trás. O tour teve 25 etapas naquele ano, Pottz fez oito finais, venceu seis - levou a temporada por uma margem recorde, mais de 3 mil pontos acima de Derek Ho e Dave Macaulay.

"Seu estilo fluído, poderoso e radical - uma combinação então inédita - fez dele um dos surfistas mais admirados em qualquer lugar, marcando muitas gerações seguintes. Também foi um pioneiro nos aéreos, apesar de que os seus eram extensões naturais de seus fortes off-the-tops, e não os previsíveis truques de malabarismo de hoje em dia". Jason Borte, Surfline

"...não foram os resultados que fizeram dele uma lenda no seu tempo. Foi a velocidade, a audácia e a inovação que transformaram Pottz num dos surfistas mais influentes de sempre. Ninguém era estúpido de perder suas baterias. Tudo podia acontecer quando Potter entrava n’água. A empolgação era a mesma que temos hoje com Dane, Jordy e cia". Júlio Adler, Goiabada

"Pottz era um monstro. Ele assombrou todo mundo em termos de manobras, velocidade e radicalidade. Os outros pareciam estar arrastando âncoras comparados com ele. Seu surfe fez eu me dar conta que se você não tiver velocidade, não interessa o que faça, vai parecer uma m...". Matt Archbold, SurferMag

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Dez campeonatos para ver e rever (no Brasil)

Já listei no Datasurfe dez campeonatos históricos no Brasil e as dez principais arenas do surfe nacional; publico agora uma lista bem mais pessoal: dez campeonatos de surfe no Brasil que gostaria de ver (ou rever). Imaginemos que fosse possível voltar no tempo para assistir a dez eventos. Quais você escolheria? Minha lista segue abaixo. Os critérios são bem subjetivos, como não poderia deixar de ser. Mas esse tipo de lista não é totalmente inútil - nos faz refletir, por exemplo, sobre os aspectos que tornam um campeonato memorável, ou simplesmente bom de ver.

1 - Waimea 5000
Elementar começar a lista com um dos seis primeiros mundiais no Brasil, mas é difícil dizer qual. A princípio, o inaugural (1976), pela estreia e pela vitória de Pepê Lopes. Porém essa edição teve formato diferente, tanto que o resultado lista os dez primeiros, enquanto a partir do ano seguinte foi adotado o sistema de baterias homem-a-homem. Creio que escolheria a segunda edição (1977), que apesar da presença de Shaun Tomson, Dane Kealoha, Michael Ho e cia, terminou com uma final 100% brasileira, em um dia de tubos épicos no Quebra-Mar.

2 - Festival Brasileiro
Também não poderia ficar de fora um dos dez Festivais Brasileiros de Surfe, inclusive pela atmosfera da época, de nascimento do surfe competição no Brasil. Mas como o Datasurfe dispõe de poucos dados a respeito, a escolha fica prejudicada. Assim às cegas escolheria o primeiro em Saquarema (em 1975), pela estreia e por saber que teve ondas de dez pés.

3 - Hang Loose Pro 1986
Indispensável. Pela Joaquina clássica que quebrou nos primeiros dias, pelo retorno do tour ao Brasil, pela campanha surpreendente de um brasileiro (o amador Sérgio Noronha), pela presença de Mark Occhilupo no auge e (porque não?) pela vitória de Dave Macaulay, a primeira de quatro, um recorde.

4 - Sundek Classic 1988
Escolha questionável. Incluí por três motivos: um pouco pela vitória de Damien Hardman, então campeão mundial; mais pela participação marcante dos recém-profissionalizados Fábio Gouveia (campeão mundial amador, deu uma dura em Hardman) e Teco Padaratz (que deu um aperto em Barton Lynch, eventual campeão mundial); e também por ser o único mundial realizado na bela arena de Itamambuca, com boas ondas.

5 - Mormaii Surf 1988
Esse eu assisti, mas faria de novo se pudesse, pelas ondas enormes na praia do Silveira, um cenário belo (e naqueles dias, perigoso) para campeonatos. Vale lembrar que na época não se usavam jetskis para segurança.

6 - Hang Loose Pro 1990
Também indispensável. Pela primeira vitória brasileira na ASP. Rumo ao pódio, Fábio Gouveia só pegou estrangeiros: Jamie Brisick, Glen Winton, Mike Parsons, Matt Branson, Matt Hoy.

7 - Alternativa Pro 1991
Pela primeira vitória de Flávio Padaratz na ASP. Não houve final - Sunny Garcia saiu contundido da semi - mas Teco derrubou alguns grandes nomes da época, como Gary Elkerton, Brad Gerlach e Barton Lynch.

8 - Rio Marathon 1998
Por ser a única vitória caseira no WT Brasil após a criação da elite. E a única vitória no Dream Tour de Peterson Rosa, um batalhador, que derrotou pelo caminho Sunny Garcia, Taj Burrow e Mick Campbell (eventual vice mundial). Eu sei, as três últimas escolhas são coisa de torcedor, mas quem não gosta de torcer e vencer? Também reparei que é o segundo evento da Barra da Tijuca nesta lista (o outro é o Alternativa 1991), mas fazer o que se ela sediou 13 mundiais?

9 - Hang Loose Santa Catarina Pro 2007
Pela conquista de Mick Fanning - das seis vezes que o título mundial foi decidido no Brasil, essa foi a única que o campeão da temporada também venceu o evento. E pelas ondas, talvez as melhores dentre as edições em Imbituba. E também por ser na Vila, um anfiteatro natural para assistir campeonatos.

10 - Última etapa do SuperSurf de 2002
A escolha mais discutível das dez. Pode-se questionar uma etapa do Supersurf na lista, em vez dos mundiais. Mas esta teve ingredientes singulares: altas ondas na Prainha do Rio (um lugar encantador) e a decisão da temporada somente na bateria final, entre Leo Neves e Peterson Rosa.

Outros:
Ficaram de fora alguns eventos e destinos memoráveis. Se fizesse uma revisão da lista, talvez trocasse alguns (os questionáveis)...

...por um Hang Loose Pro em Fernando de Noronha. Possivelmente o de 2001, única edição finalizada no Abras, com tubos de 6 pés. Mas duas na Cacimba também foram especiais: as de 2003 (pela vitória do Neco) e a de 2005 (pelos tubos).

...por outro nacional dos anos 1980, o Cristal Graffiti de 1989, pelas ondas grandes no Pontal do Leblon - uma atração à parte.

...pelo Nescau Surf Energy de 1994, na Joaquina. Assisti esse evento. Teve uma ondulação de 6 pés, relacionadas a um eclipse solar, que lembrou o swell do Hang Loose de 1986. Muitos tubos e, por ser um WQS, uma maratona de baterias com talentos internacionais, na reta final da temporada.

...pelo Nova Schin Festival de 2003, outro WT finalizado de Imbituba. Foi um campeonato singular: teve disputas em picos variados (Caldeira do Diabo, Silveira, Vila); foi o ano do apagão em Florianópolis, que ficou 55 horas sem luz; foi uma das três vitórias de Kelly Slater no Brasil, derrotando Mick Fanning na final; e foi encerrado com belas direitas de 5 pés, que segundo o campeão lembravam Haleiwa.

...pela abertura do SuperSurf 2002 em Maresias. Além do astral da praia, pelos tubos de seis pés e o recorde de notas dez. Foi apenas um evento nacional, mas Maresias nunca recebeu os gringos com um mar tão clássico.

Com 35 WTs e 104 WQS concluídos no Brasil, mais 31 etapas do antigo circuito da Abrasp e os dez Festivais Brasileiros, sem falar em eventos de outros tipos (Festivais Olympikus, Op Pro...), apontar apenas dez não é tarefa simples. Além da subjetividade, do gosto pessoal, entra na conta a falta de conhecimento mais amplo.

Mas pra fechar, que bom será se o próximo WT na Vila tiver elementos que o incluam nesta lista.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O histórico de Taj Burrow na ASP


Taj quebrando

Não apenas pela vitória em Gold Coast, mas também pelas duas anteriores (no Pipemasters 2009 e pelo WQS em Burleigh Heads), Taj Burrow largou como favorito no World Tour 2010. Não é uma condição nova - Taj é forte candidato ao título mundial desde que despontou no circuito, há pouco mais de uma década. Seu currículo fala por si: em 12 temporadas, foi duas vezes vice, sete vezes top 5 (inclusive nos últimos quatro anos) e só ficou fora dos top 16 no atípico 2001.

Taj no World Tour ao longo dos anos:
1998 - 12º - competiu em todas as 11 etapas
1999 - 2º - competiu em todas as 13 etapas
2000 - 6º - competiu em todas as 13 etapas
2001 - 35º - competiu em todas as 5 etapas
2002 - 4º - competiu em todas as 12 etapas
2003 - 3º - competiu em todas as 12 etapas
2004 - 6º - competiu em todas as 11 etapas
2005 - 7º - competiu em 9 das 11 etapas
2006 - 4º - competiu em todas as 11 etapas
2007 - 2º - competiu em todas as 10 etapas
2008 - 3º - competiu em todas as 11 etapas
2009 - 4º - competiu em todas as 10 etapas

A corrida recém começou, mas se realmente vingar o título de Taj será um prêmio à regularidade: em sua 13ª temporada consecutiva, ele quase nunca faltou a uma etapa - apenas em 2005 não competiu integralmente.

Taj despontou no tour em 1996 com a sutileza de um trator: aos 18 anos, venceu uma etapa do WQS na Inglaterra e terminou em 11º no ranking, porém optou por aguardar mais um ano e abriu mão da vaga na elite. Classificou-se novamente em 1997 com tranquilidade, após duas vitórias (Margaret River e Espanha) terminou o Qualifying em 3º. Na elite, foi top 16 e rookie of the year em seu ano de estreia, e em sua segunda temporada venceu dois eventos e foi vice-campeão pela primeira vez.

Mas o tempo passou e o título não veio - ainda. Pelas contas do Datasurfe, o Quiksilver Pro deste ano foi seu 133º evento do World Tour desde 1996, quando estreou como wildcard. Ele já competiu em 19 finais na elite e alcançou oito vitórias. Seu principal adversário em decisões foi Kelly Slater - em seis confrontos, Taj venceu dois. Um detalhe interessante é a importância do Brasil em seu histórico: três conquistas, mesmo número que na Austrália.

As oito vitórias no WT
1999 - Coke Surf Classic, Manly Beach, New South Wales/Austrália
1999 - Rio Marathon Surf International, Barra da Tijuca (RJ)/Brasil
2002 - Mundial Coca Cola de Surf, Saquarema (RJ)/Brasil
2004 - Santa Catarina Pro, Imbituba (SC)/Brasil
2007 - Billabong Pro Jeffreys Bay/África do Sul
2007 - Rip Curl Pro Bells Beach, Victoria/Austrália
2009 - Billabong Pipe Masters, Pipeline/Hawaii
2010 - Quiksilver Pro, Gold Coast/Austrália

As 19 finais de Taj Burrow no WT:
1999 - Manly - Taj Burrow 23.25 d. Kalani Robb 8.75
1999 - Barra da Tijuca - Taj Burrow 24.1 d. Shea Lopez 20.1
2000 - Figueira da Foz - Rob Machado 24 d. Taj Burrow 23.1
2000 - Barra da Tijuca - Kalani Robb 19.4 d. Taj Burrow 17.9
2002 - Saquarema (RJ) - Taj Burrow 14.25 d. Mick Fanning 13.5
2003 - Teahupoo - Kelly Slater 19.57 d. Taj Burrow 14.83
2003 - Trestles - Richard Lovett 16.07 d. Taj Burrow 14.2
2003 - Mundaka - Kelly Slater 16.63 d. Taj Burrow 14.1
2004 - Bells Beach - Joel Parkinson 17.13 d. Taj Burrow 14.04
2004 - Imbituba - Taj Burrow 17.83 d. Tom Whitaker 9.13
2006 - Gold Coast - Kelly Slater 16.17 d. Taj Burrow 14.6
2006 - Jeffrey's Bay - Mick Fanning 16.9 d. Taj Burrow 16
2007 - Bells Beach - Taj Burrow 16.83 d. Andy Irons 14.73
2007 - Jeffrey's Bay - Taj Burrow 16.5 d. Kelly Slater 6.17
2007 - Mundaka - Bob Martinez 16.44 d. Taj Burrow 16.16
2008 - Trestles - Kelly Slater 18.97 d. Taj Burrow 18.63
2009 - Teahupoo - Bob Martinez 18.46 d. Taj Burrow 16.1
2009 - Pipeline - Taj Burrow 12.83 d. Kelly Slater 7.10
2010 - Gold Coast - Taj Burrow 15.57 d. Jordy Smith 12.56

Pelo WQS ele venceu sete eventos entre 1996 e o começo de 2010 (um período de 14 anos). Em 2001, única temporada em que não se reclassificou para a elite pelo próprio WCT, buscou a permanência com duas vitórias no Qualifying - em Portugal e na Gold Coast. Detalhe: terminou o ranking em segundo, atrás de Mick Fanning.

As sete vitórias no WQS
1996 - 5S - Headworx Pro, Newquay, Inglaterra
1997 - 4S - Rusty Masters, Margaret River, Austrália
1997 - 4S - OP Pukas Pro, Zarautz, Espanha
2001 - 6S - Ericeira Surf Classic, Portugal
2001 - 5S - Quiksilver Pro Gold Coast, Austrália
2004 - 6S - Honda US Open, Huntington Beach, Califórnia/EUA
2010 - 4S - Breaka Burleigh Surf Pro, Burleigh Heads, Austrália

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

As 16 temporadas de Slater no WT



Como mencionado nos números de Kelly Slater no WCT, segundo levantamento do Datasurfe o atual decacampeão competiu em 194 eventos de primeira divisão entre 1989 e 2010. A partir de 1992, nunca ficou fora dos top 10. Em 16 temporadas completas (mais três em que competiu parcialmente), disputou 65 finais e venceu 45. Segue um resumo de todas as campanhas de Slater no tour principal, de 1992 a 2010.

1992
Slater entrou para a elite na penúltima das 45 vagas, mas na estreia do WCT conquistou seu primeiro título mundial com uma etapa de antecipação. Foram cinco finais em 11 eventos, porém a primeira vitória veio apenas na sexta etapa.
Campanha: R3 em Bells | vice em Narrabeen | R3 em Durban | semi em Saint Leu | vice em Lacanau | campeão em Hossegor | quartas em Biarritz (cancelado por falta de ondas) | quartas em Chiba | vice em Miyazaki | oitavas no Rio de Janeiro (comemorou título mundial antecipado) | campeão em Pipe


1993
Na defesa do primeiro título, ele fez o que seria sua pior campanha nos primeiros sete anos do tour. Disputou todas as 10 etapas, mas terminou fora dos top 5 (em 6º). As duas finais (com uma vitória) só vieram na reta final. Sete surfistas chegaram ao Pipemasters com chances de levar o título e Slater não era um deles. Derek Ho ficou com o troféu, o primeiro de um havaiano.
Campanha: quartas em Bells | R2 em Narrabeen | R3 em Hossegor | oitavas em Durban | quartas em Lacanau | R2 em Biarritz | oitavas em Miyazaki | campeão em Chiba | quartas no Rio de Janeiro | vice em Pipeline


1994
Na conquista do bicampeonato, Slater repetiu os feitos de Tom Curren e Damien Hardman (únicos que haviam reconquistado o título mundial após perdê-lo). Como na primeira vez, a taça veio com uma etapa de antecipação, junto com o bicampeonato no Pipemasters. O primeiro semestre foi arrasador: quatro finais em seis eventos.
Campanha: campeão em Bells | semi em Chiba | oitavas em Saint Leu | vice em Huntington | campeão em Lacanau | vice em Hossegor | R3 em Biarritz | quartas no Rio de Janeiro | campeão em Pipeline (comemorou título antecipado) | oitavas em Narrabeen


1995
O tricampeonato veio em uma disputa acirrada com Rob Machado e Sunny Garcia - Slater chegou ao Pipemaster decisivo em terceiro no ranking, mas acabou ganhando tudo (evento, título, Triple Crown).
Campanha: oitavas em Bells | semi em Chiba | campeão em G-Land | oitavas em Saint Leu | vice em Huntington | oitavas em Lacanau | semi em Hossegor | quartas em Biarritz | quartas no Rio de Janeiro | campeão em Pipeline


1996
Irregular no primeiro semestre, embalou a partir de junho e alcançou o tetracampeonato com extrema tranquilidade. Foram sete vitórias em 13 dos 14 eventos, até hoje recorde de títulos por temporada (igualando Damien Hardman em 1988 e Tom Curren em 1990). Após levar a taça com duas etapas de antecipação (fato inédito), em Portugal, ele optou por não vir ao Brasil.
Campanha: campeão em Narrabeen | oitavas em Kirra | R3 em Bells | oitavas em Chiba | semi em G-Land | campeão em Saint Leu | campeão em J-Bay | campeão em Huntington | quartas em Lacanau | campeão em Hossegor | campeão em Biarritz | R2 em Portugal (comemorou título antecipado) | não competiu no Rio de Janeiro | campeão em Pipeline


1997
O pentacampeonato foi ainda mais tranquilo que o tetra: com quatro vitórias nas primeiras cinco etapas, permitiu-se cair de rendimento no segundo semestre; mesmo assim, antecipou novamente o título mundial, em Portugal - como no ano anterior, duas etapas antes do final da temporada. Ainda alcançou a quinta vitória (em 12 eventos), no Brasil.
Campanha: campeão em Narrabeen | campeão em Kirra | oitavas em Bells | campeão em Tokushima | campeão em Chiba | oitavas em G-Land | vice em Lacanau | oitavas em Hossegor | R3 em Sintra/Portugal | R3 em Foz/Portugal (comemorou título antecipado) | campeão no Rio de Janeiro | R3 em Pipeline


1998
Após duas temporadas sem suspense, enfim a disputa voltou a ser acirrada. Porém, como em 1995, na etapa decisiva em Pipeline, Slater reverteu a vantagem dos adversários - desta vez, Michael Campbell e Daniel Wills - e chegou ao hexacampeonato (seu quinto título mundial seguido). A queda nos resultados foi acentuada: fez apenas uma final, quando foi campeão na primeira das 11 etapas.
Campanha: campeão em Kirra | R3 em Bells | quartas em Manly | quartas em Tokushima | R3 em Chiba | quartas em J-Bay | quartas em Huntington | semi em Hossegor | oitavas em Lacanau (cancelado por falta de ondas) | semi no Rio de Janeiro | semi em Pipeline


1999
O primeiro dos três anos de "férias". Abandonou a primeira etapa e voltou a competir em apenas outros três eventos: Fiji, Huntington e Pipeline. Conquistou seu quinto Pipemasters. Mark Occhilupo levou o título mundial com uma etapa de antecipação, no Arpoador.
Resultados: R3 em Gold Coast | semi em Fiji | quartas em Huntington | campeão em Pipeline


2000
Em seu segundo ano fora do tour, Slater competiu em quatro das 13 etapas e novamente venceu uma, desta vez em Teahupoo. Sunny Garcia conquistou o título mundial com uma etapa de antecipação, na Barra da Tijuca.
Resultados: campeão em Teahupoo | R3 em Fiji | R2 em Trestles | oitavas em Pipeline


2001
O terceiro e último ano de descanso foi o do 11 de setembro, que forçou um calendário anômalo ao tour, com apenas cinco etapas. Slater disputou duas e perdeu cedo em ambas. CJ Hobgood ficou com o título mais contestável da história.
Resultados: R3 em Bells | triagem em Sunset


2002
No retorno ao tour, Slater fez somente uma final (no Pipemasters, em baterias de quatro competidores) e amargou seu pior ranking até hoje: 9º. Andy Irons conquistou o título mundial, seu primeiro, com uma etapa de antecipação, em Sunset Beach. Porém, antes da temporada, Slater foi campeão do Quiksilver In Memory of Eddie Aikau.
Campanha: oitavas em Gold Coast | não competiu em Bells | R3 em Teahupoo | oitavas em Fiji | oitavas em J-Bay | semi em Trestles | não competiu em Portugal | semi em Hossegor | oitavas em Mundaka | não competiu em Saquarema | oitavas em Sunset | terceiro em Pipeline


2003
Slater venceu quatro etapas e voltou a brigar pelo título, porém havia um concorrente a altura: o defensor da taça Andy Irons, que também chegou à etapa decisiva, o Pipemasters, com quatro vitórias. O desfecho da corrida foi todo no Hawaii, em baterias de quatro competidores: Irons reverteu a vantagem de Slater com um vice em Sunset, e venceu em Pipeline, na decisão mais apertada da história. Com os dois na final, quem vencesse era campeão. Irons levou tudo.
Campanha: oitavas em Gold Coast | oitavas em Bells | campeão em Teahupoo | não competiu em Fiji | quartas em Niijima | campeão em J-Bay | quartas em Trestles | semi em Hossegor | campeão em Mundaka | campeão em Imbituba | oitavas em Sunset | quarto em Pipeline


2004
No ano em que Andy Irons conquistou o tricampeonato com uma etapa de antecipação, em Imbituba, Slater fez apenas uma final (em Trestles), mas com seguidas semis e quartas terminou em 3º no ranking.
Campanha: quartas em Gold Coast | quartas em Bells | semi em Teahupoo | R3 em Fiji | quartas em J-Bay | quartas em Chiba | vice em Trestles | semi em Hossegor | R3 em Mundaka | quartas em Imbituba | semi em Pipeline


2005
Muitos achavam que a era Slater havia terminado após os três títulos de Irons, mas dos rumores de aposentadoria ele arrancou para o heptacampeonato, alcançado com uma etapa de antecipação, em Imbituba. Foram cinco finais e quatro vitórias ao longo do ano.
Campanha: quartas em Gold Coast | R3 em Bells | campeão em Teahupoo | campeão em Fiji | oitavas em Sint Leu | campeão em J-Bay | vice em Chiba | campeão em Trestles | quartas em Hossegor | oitavas em Imbituba (comemorou título antecipado) | semi em Pipeline


2006
O octacampeonato veio com uma campanha arrasadora: venceu as duas primeiras etapas, depois fez outras três finais (e três semis). Pela terceira vez na carreira, foi campeão com duas etapas de antecedência, desta vez em Mundaka. E novamente optou por não vir ao Brasil. Com a conquista em Bells, igualou o recorde de vitórias de Tom Curren no tour mundial (33).
Campanha: campeão em Gold Coast | campeão em Bells | semi em Teahupoo | não competiu em Fiji | quartas no México | semi em J-Bay | vice em Trestles | semi em Hossegor | vice em Mundaka (comemorou título antecipado) | não competiu em Imbituba | vice em Pipeline


2007
Superou o recorde de vitórias de Tom Curren ao subir no pódio em Trestles; mas Mick Fanning, com três conquistas na temporada, alcançou seu primeiro título mundial com uma etapa de antecipação, em Imbituba. Slater terminou em 3º, como em 2004.
Campanha: semi em Gold Coast | quartas em Bells | oitavas em Teahupoo | oitavas no Chile | vice em J-Bay | campeão em Trestles | R3 em Hossegor | semi em Mundaka | oitavas em Imbituba | oitavas em Pipeline


2008
Novamente Slater partiu dos rumores de aposentadoria ao título mundial - o nono. Venceu seis eventos, incluindo quatro das cinco primeiros. Pela quarta vez, antecipou o desfecho da corrida em duas etapas - alcançou o eneacampeonato ainda em Mundaka, e não veio ao Brasil. Pra fechar, conquistou o sexto Pipemasters.
Campanha: campeão em Gold Coast | campeão em Bells | R3 em Teahupoo | campeão em Fiji | campeão em J-Bay | R3 em Bali | campeão em Trestles | vice em Hossegor | oitavas em Mundaka (comemorou título antecipado) | não competiu em Imbituba | campeão em Pipeline


2009
Apenas pela terceira vez em quinze temporadas, Slater ficou de fora dos top 5: terminou em 6º, como em 1993. Joel Parkinson e Mick Fanning decidiram o título na última etapa (e deu Fanning); Slater venceu apenas uma vez, no Brasil, e também foi à final em Pipeline.
Campanha: R3 em Gold Coast | R2 em Bells | R2 em Teahupoo | campeão em Imbituba | oitavas em J-Bay | semi em Trestles | quartas em Hossegor | semi em Mundaka | R2 em Portugal | vice em Pipeline


2010
O decacampeonato veio em Porto Rico - foi a oitava vez que KS antecipou a conquista da temporada. Ampliou seus recordes com mais quatro vitórias em seis finais, especialmente no segundo semestre, após a redução da elite para 34 surfistas.
Campanha: R4 em Gold Coast | campeão em Bells | vice em Imbituba | R3 em J-Bay | semi em Teahupoo | campeão em Trestles | vice em Hossegor | campeão em Portugal | campeão em Porto Rico (comemorou título antecipado) | semi em Pipeline

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O retrospecto de Guilherme Herdy na ASP



Sexto brasileiro com maior número de temporadas na elite, Guilherme Herdy competiu no WCT por 10 anos consecutivos - de 1995 a 2004. Também competiu como alternate em mais da metade das etapas em 2005.

Pelas contas do Datasurfe, Herdy participou de 116 etapas do tour principal e disputou duas finais - também fez outras quatro semifinais e parou nas quartas em oito ocasiões.

Os dois vice-campeonatos de Herdy no WCT:
1999 - Mundaka - Mark Occhilupo 19.9 d. Guilherme Herdy 14.5
2000 - Tavarua - Luke Egan 19.15 d. Guilherme Herdy 18

Pelo Qualifying, Herdy é um dos oito brasileiros com mais vitórias: cinco, sendo três delas no exterior.

As 5 vitórias no WQS:
1994 - 7UP Pro Cup, Punta Rocas/Peru
1995 - Limão Brahma Surf Pro, B.Tijuca
1996 - Mark Richards City Pro, Newcastle/Austrália
1997 - Town & Country Pro, Landes/França
2000 - Hang Loose Pro, Noronha

Também disputou uma final no SuperSurf:
2007 - B.Tijuca (RJ) – Renato Galvão/Guilherme Herdy

Nas dez temporadas no WCT, seu melhor ranking foi em 2000, quando terminou entre os top 16:
1995 - 32º | disputou todas as 10 etapas
1996 - 19º | disputou todas as 14 etapas
1997 - 31º | disputou todas as 12 etapas
1998 - 33º | disputou todas as 11 etapas
1999 - 32º | disputou 12 das 13 etapas
2000 - 12º | disputou 12 das 13 etapas
2001 - 22º | disputou 4 das 5 etapas
2002 - 37º | disputou 11 das 12 etapas
2003 - 20º | disputou todas as 12 etapas
2004 - 33º | disputou todas as 11 etapas

Um breve retrospecto:

1994
Estreou na primeira divisão como wildcard no WCT brasileiro e perdeu na repescagem. Pelo WQS, conquistou sua primeira vitória no Peru e subiu à elite ao terminar em 27º no ranking.

1995
Em sua estreia no Grand Slam, só passou do round 3 em duas das dez etapas: foi às oitavas em Saint Leu e Pipeline. Manteve-se na elite pelo WQS - com uma vitória na Barra da Tijuca e um vice em Portugal, terminou em 31º.

1996
Em sua segunda temporada na elite, reclassificou-se pelo próprio WCT e quase chegou aos top 16. Alcançou sua primeira semifinal em Pipeline - foi eliminado por Kelly Slater, mesmo recebendo uma nota 10 -; também foi às quartas em Bells e Saint Leu, e às oitavas em Narrabeen, Lacanau e Portugal (onde abandonou o evento após sofrer um acidente de carro com Peterson Rosa). Pelo WQS, venceu uma etapa em Newcastle, o que somado aos resultados do WCT em Sydney, Gold Coast e Bells, lhe deu o título do Australian Grand Slam (conquista inédita para um brasileiro).

1997
Fez sua segunda semifinal de WCT, em Portugal, e foi às oitavas em G-Land. Garantiu mais um ano na elite pelo WQS - venceu uma etapa na França e foi vice em Maracaípe, terminando em 9º no ranking.

1998
Passou do round 3 apenas duas vezes, ambas no segundo semestre: foi às quartas no Rio de Janeiro e às oitavas em Hossegor. Novamente recorreu ao WQS (ficou em 7º) para manter-se na primeira divisão.

1999
Não competiu em Kirra, mas depois disputou sua primeira final de WCT (em Mundaka), foi às quartas na Barra da Tijuca e às oitavas em Bells. Mesmo assim ficou abaixo da zona de corte e pelo terceiro ano seguido garantiu-se pelo WQS - em que terminou em 17º.

2000
Em sua melhor temporada no WCT, chegou aos top 16. Disputou sua segunda final, em Fiji, foi à semifinal em Trestles, às quartas em Pipeline (no homem-a-homem) e às oitavas em Teahupoo, Lacanau e Mundaka. Pelo WQS, venceu o primeiro Hang Loose em Fernando de Noronha, sua conquista internacional mais recente.

2001
Na temporada de cinco eventos, não competiu em J-Bay, mas foi às quartas em Teahupoo e com isso manteve-se na elite pelo próprio WCT.

2002
Não competiu em Fiji; repetiu a semifinal em Trestles e foi às oitavas em Portugal, Hossegor, Saquarema e Sunset (em baterias de quatro), mas terminou em 37º, abaixo da zona de corte. Manteve-se na elite com um 25º no ranking WQS.

2003
Voltou a reclassificar-se pelo próprio WCT ao terminar o ano em 20º. Foi às quartas em Bells e Sunset, e às oitavas em J-Bay, Hossegor, Mundaka e Pipeline (os dois eventos no Hawaii em baterias de quatro).

2004
Em sua décima e última temporada como integrante da elite, passou do round 3 em apenas três eventos - foi às oitavas em Gold Coast, Bells e Fiji. Perdeu a vaga no WCT ao terminar em 33º, mas ficou como alternate para o ano seguinte (eventualmente competiu em mais de metade das etapas).

2005
Como alternate, ganhou vaga em seis das onze etapas - Fiji, Saint Leu, J-Bay, Trestles, Hossegor e Imbituba - mas não passou do round 3.

A partir de 2006, Guilherme Herdy dedicou-se ao SuperSurf e foi top 16 do circuito nacional por três anos: 7º em 2006, 11º em 2007 (quando disputou uma final na Barra da Tijuca) e 16º em 2008.